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Um pouco de história desta cidade...

A origem de Silves é difícil de determinar, dada a sua antiguidade. A arqueologia permitiu, entretanto, concluir que a região é habitada desde o Paleolítico.

A fundação de Silves é, no entanto, muito difícil de identificar. Ao que tudo indica a fortaleza do alto da colina de Silves foi construída durante o período da ocupação romana e que se transformou num castelo. A Cisterna dos Cães ainda que possa ter sido uma mina em período anterior foi trabalhada pelos romanos, tal como o celeiro ou cisterna subterrânea abobadada.

A recente descoberta de Vila Fria por José Luís Cabrita, vem confirmar a presença dos romanos em Silves.

Mas é, sem dúvida durante a ocupação árabe que Silves atinge o seu máximo esplendor, tendo sido várias vezes capital do Algarve. Silves foi ocupada pelos árabes do Iémen logo depois da conquista da Península e aqui se desenvolveu uma cultura tipicamente árabe.

O acontecimento, de época muçulmana, mais antigo que se conhece em Silves é o embarque do poeta e diplomata Yahya Algazel para a terra dos Madjus, como embaixador de Abderramão II.

O desenvolvimento da cidade processou-se com a chegada do príncipe muladi, ou seja cristão hispânico convertido ao islamismo, Bakr bem Yahya, de Santa Maria do Ocidente que aqui instalou uma Chancelaria, um Conselho de Estado e tropas numerosas.

Em meados do século XII surgiu em Silves um movimento religioso e político, dos Muridas, organizado e comandado por Ahmad Ibn Qasî. Este foi autor de um célebre tratado de Filosofia Mística “O descalçar das duas sandálias”, tomou Mértola e proclamou-se Mahdî, o Messias.

Após desentendimentos com companheiros seus junta-se aos Almóadas e com a sua ajuda reconquista Silves e Mértola.

Termina então em conflito também com estes e alia-se a Afonso Henriques de Portugal. Os seus velhos amigos de Silves desgostados com tal aliança, assassinam-no no Palácio das Varandas.

Em 1189 Silves foi atacada e tomada aos Almóadas por D. Sancho 1 com o auxílio dos membros da III Cruzada, que incluía o Imperador da Alemanha Frederico Barba Roxa, o Rei de França Filipe Augusto e o Rei de Inglaterra Ricardo Coração de Leão.

Após renhido combate a cidade rendeu-se pela sede. Nessa altura Sancho I intitulou-se Rei de Portugal e de Silves.

Os muçulmanos retomaram Silves em 1191, ficando a cidade arruinada, não mais recuperando o seu brilho.

Ibn Mahfot foi o último senhor árabe de Silves. D. Paio Peres Correia reconquistou definitivamente a cidade entre 1242 e 1246.

Em 1266 D. Afonso III concedeu a Silves um foral semelhante ao que havia sido atribuído a Lisboa. Em 1269 o mesmo rei concedeu aos mouros forros de Silves, e de outras localidades algarvias, um foral.

A primeira Sé de Silves deve ter-se localizado na antiga Mesquita Maior, depois de convertida em templo cristão, em 1189, portanto depois da primeira conquista portuguesa da cidade.

Quando a cidade foi definitivamente conquistada os reis de Portugal e Castela pensaram em construir aí uma nova Catedral. Este novo templo deve ter sido começado a construir em finais do século XIII, por ordem de Afonso III. O mestre da obra foi Domingos Johanes, cuja lápide sepulcral se descobriu numa antiga sacristia da Sé de Silves, com a data de 1279, que parecia indicar a data da morte do construtor.

A Sé de Silves foi iniciada em estilo gótico e concluída ao gosto barroco e constitui o mais importante templo de todo o Algarve. Desde 1922 é considerada Monumento Nacional.

Das três ordens de fortificações que Silves possuía durante a ocupação árabe, o Castelo, as Muralhas da Almedina e as do Arrabalde, não restam hoje senão as duas primeiras e vestígios da última.

As Muralhas da Almedina estão ainda quase intactas, apenas cortadas em alguns troços. Este troço muralhado parte da Torre do Segredo, do castelo e contornam a cidade por toda a parte setentrional. Algumas das torres que acompanham o muro são autenticamente árabes, de terra batida e cimento ou taipa.

Na Casa do Poço-Cisterna Árabe, mesmo junto das muralhas, na Rua da Porta de Loulé encontra-se instalado o recentemente criado Museu de Silves, que encerra valioso espólio arqueológico da região, de todas as épocas, mas com especial predominância do período árabe, em que Silves é riquíssima.

 

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