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Evocação de Silves
Saúda, por mim, Abu Bakr, Os queridos lugares de Silves E diz-me se deles a saudade É tão grande quanto a minha. S aúda o palácio dos Balcões Da parte de quem nunca os esqueceu. Morada de leões e de gazelas Salas e sombras onde eu Doce refúgio encontrava Entre ancas opulentas E tão estreitas cinturas! Mulheres níveas e morenas Atravessavam-me a alma Como brancas espadas E lanças escuras. Ai quantas noites fiquei, Lá no remanso do rio, Nos jogos do amor Com a da pulseira curva Igual aos meandros da água Enquanto o tempo passava.. E me servia de vinho: O vinho do seu olhar Às vezes o do seu copo E outras vezes o da boca. Tangia cordas de alaúde E eis que eu estremecia Como se estivesse ouvindo Tendões de colos cortados. Mas retirava o seu manto Grácil detalhe mostrando: Era ramo de salgueiro Que abria o seu botão Para ostentar a flor. In Silves no Contexto Poético Ândalus da autoria do Dr. Adalberto Alves Neste poema, da autoria de Al-Mu'tamid enviado a Ibn'Ammar, o poeta relembra os tempos de juventude em Silves onde aquele se encontrava. É um bom testemunho do amor que tinha por aquela região, mesmo sabendo que é referente ao tempo das invasões muçulmanas. |
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